30 de jul. de 2007

28 de jul. de 2007

RECEITA PARA UMA COREOGRAFIA EM PIAZZOLLA ou MANJADINHO BOM

Esta é uma receita colaborativa. Os pratos finalizados serão reunidos, servidos e degustados em um restaurante de dança no site YouTube. Para tanto, siga a receita.

Ingredientes
01 aparelho que produza vídeo (câmera filmadora, fotográfica, celular, webcam, etc.)
05 corpos
5:00 minutos de tempo
3 m2 de espaço
Sonoridade: tango à gosto

Rendimento
Infinitas porções coreográficas

Modo de preparo
Utilize o aparelho produtor de vídeo para registrar todo procedimento. Lembre-se que este registro pode ser realizado à gosto e influenciará no sabor da receita. Reserve 05 corpos. Num espaço, utilize 01 corpo para cozinhar o molho, brincado à vontade com o tempo e com a sonoridade escolhida. Assim que o corpo estiver macio, repita o procedimento incorporando mais um corpo, e assim sucessivamente. Não se preocupe caso os corpos se desmanchem. Acontecendo, escorra-os para o chão. Leve o molho registrado em vídeo ao forno-computador: corte, modifique, insira sal, desloque, etc. Sirva para o endereço diego-mac@uol.com.br. Aguarde o endereço do restaurante onde as receitas serão servidas ao público.

Molho
Mova seu braço direito para frente do seu corpo
Mova seu braço esquerdo para o lado do seu corpo
Joelhos semi-flexionados
Dê 1 passo para frente com a perna direita
Gire em torno de si mesmo
Identifique pares no seu corpo
Salte(o) alto
Caminhe livremente pelo espaço e diga uma palavra
Deposite o peso sobre o par
Imagine um quadrado
Seja direto e sensual
Mova seu estômago para frente do seu corpo
Mova seu pulmão esquerdo para baixo
Cabelos semi-flexionados
Dê 1 passo para frente com a pálpebra direita
Gire em torno do outro
Identifique pares no seu corpo
Salte(o) alto
Caminhe livremente pelo espaço e assovie
Deposite o peso sobre o par
Imagine um círculo
Seja indireto e sensual
Entrelace alguma coisa em outra
Expressão séria: meio sofrida de amor
Rosa na boca, batom vermelho e força na peruca
Faça “carão”
Faça suas bolas retraírem-se
Sinta seus olhos perfurarem
Suas mãos enrijecerem
Faça sua coluna esticar-se
Sinta seu peito-do-pé formigar
Volte à posição inicial e adicione mais um corpo

***

Esta ação integra a Série “Jogos”, de Diego Mac – um conjunto de obras em videodança cuja discussão gira em torno da linguagem da dança e suas questões sobre movimento, corpo, tempo, espaço, gesto, sentido, sociedade, entre outras. Através da representação do conceito de jogo, tais questionamentos são abordados em uma via-de-mão-dupla, convidando o público a jogar/dançar/pensar junto com o artista, a partir de jogos de ponto-de-vista, de sentido, de autoria, de corpo, de movimento, de imagem.

Colaboradores iniciais: Alessandra Chemello, Caru Arísio, Cíntia Bracht, Dani Boff, Diego Goulart, Doug Jung, Edi Oliveira, Henrique Natividade e Vênus as a Boy.

27 de jul. de 2007

Um pedaço de mim enquanto videodança

Eu tinha, mais ou menos, sete anos de idade e, duas vezes por semana, andava pela rua de mãos dadas com minha mãe em direção ao seu local de trabalho – uma escola de dança na qual ela ministrava aulas de ballet. Lá chegando, sentava-me num banco e observava quatro bailarinas dançando numa sala gigantesca, e, destas, apenas enxergava a parte de baixo de seus corpos – um pouco do quadril, pernas e pés; a não ser que ficasse todo o tempo olhando para cima, como ficamos quando assistimos da primeira fila um filme numa sala de cinema: anti-ético para com minha cervical.

Quando uma das bailarinas, em função de seus movimentos, passava a ocupar uma parte do espaço na qual eu estava situado, menos eu enxergava do seu corpo, restando-me apenas olhar para um pedaço de quadril que avançava cada vez mais em minha direção, restringindo-me o olhar a um pedaço mínimo de carne humana. Por sorte também sou humano e, como a bailarina, podia, subitamente, mover os olhos para o lado esquerdo ou direito e, mais que depressa, encontrava outro pedaço de carne para a felicidade de minha retina.

Conforme a passagem do tempo meu corpo ampliou em altura, largura e desejos, e fez com que eu percebesse a dança a partir de outra perspectiva. A altura modificara meu ângulo de visão, a largura exagerada – um tanto gordo para o padrão de corpo existente na dança – me deixara em dúvida se podia ou não ser bailarino, e o desejo fez com que me descobrisse um ser dançante, pois mesmo sem atuar diretamente na dança, como bailarino ou coreógrafo, ela estava presente como um “tema” que atravessava minha vida. Era prazeroso estar entre pessoas que discutiam e faziam dança, e percebia neste meio minhas investidas futuras.

Nem tão 'de gaiato' assim...

Gente, acho que agora consegui!
Que legal!!!!!
E daí eu não preciso mais mandar e-mail, é só postar aqui no blog, é isso?
Hummmmmm...
Adorei!
bjinhos,

Nilton

24 de jul. de 2007

É A COREOGRAFIA DOS MEUS LÁBIOS

Poema da minha amiga e parceira de trabalho Lu Paludo... Lindo... Adoroooo...

É a coreografia dos meus lábios,
Embalada ao som do meu aparelho fonador.

Você não poderá dizer que são só palavras,
Jamais inverterá minha intenção de que o desenho largo ou oval
Da minha boca possa se constituir de uma composição.

Mas o corpo todo quer essa dança.
O problema é que não consigo compilar.
O corpo quer essa dança, pois tudo sai na mesma cadência.

Posso virar uma cambalhota ao mesmo tempo em que digo um ai.
Posso falar um poema ao passo que recrio uma canção.
Posso saltar, como um soluço...
[Da lágrima que não ouso há tempos].

Posso virar uma cambalhota?

Gosto de mover meus lábios e gosto da música
Do aparelho fonador...
Enaltece a alma e esclarece.
Mas não é nada disso, não se iluda!

Isso é só aparência,
É apenas uma coreografia [dos meus lábios]
E a música quem faz?
...É meu aparelho fonador.

Se puder mandarei eles pararem, os lábios
Pois os pés estão invejosos e as coxas também!
A bem da verdade, para quê tanta coxa, se não posso saltar?
E a atração mimética por asas, se possuo somente braços...
São compridos os braços
E gostam de estar no lugar das pernas – às vezes.
São compridos, mas não o suficiente para alcançar...
Tudo que os olhos enxergam.

Queria ser míope.
[Em vez de míope, medíocre!]

Sempre compridos os braços e grandes os olhos;
[Grandes e tímidos.]
Pena que não podem falar.
Mas quem precisa de mais fala com uma boca deste tamanho?

E não há nada de mal em eu querer dançar uma valsa.

E os pés pedem permissão para os lábios...
São eles que ditam a medida das coisas.
E o resto do corpo também se assanha: quer ser movente.

Alguém manda a boca calar?

Daqui um pouco a música acaba,
Aquela, do aparelho fonador.
Daqui um pouco o resto do corpo terá espaço:
Fim do monopólio dos lábios!

Todas as partes merecem espaço.
Tudo que move é sagrado, diria o poeta...

Mas os olhos atrapalham.
Já viram muitas coisas, mas sempre querem rever:
A mesma coisa.

[É o conforto das sensações já sentidas;
Nada de riscos, essa é a ordem!
Velada
Escondida no mar das boas e novas intenções.
todas querendo se estabelecer/permanecer]

Deixe o corpo dançar!
Cala a boca!
Por favor, alguém me faça parar.

Pois não há nada de mal em eu querer dançar uma valsa.



Lu, 21 de fevereiro de 2004
www.lupaludo.art.br

20 de jul. de 2007

Onde está Gaia?

estamos entre nós. estamos entre o bit e a carne. entre o corpo e sua imagem. entre perguntar e abaixar. entre o chapéu e seu lugar. estamos entre o acaso e o prometido. entre nossas casas e suas portas. estamos entre faces que se encontram, ossos que se encaixam, músculos que se bebem, pedaços que se dobram, olhos que se fecham, bocas que se beijam. estamos entre Buchs e blushs. entre Buchs e Bauschs. estamos entre o pensamento e uma bobagem. entre coreografia e sacanagem. entre o espelho e seu lado. entre o teatro e seu duplo. entre a dança e seus múltiplos. estamos entre ponto e vista. entre peitos e traumas. entre cinema e rótula. estamos entre música e retina. entre sapato e arma. estamos entre caixa e corpo. entre corpo e lástima. entre lástima e fígado. estamos entre pátria e gente. entre todo e pálido. entre calma e sábado. estamos entre a velocidade que nos corrompe. entre as cores de Tarantino. estamos entre ser sincero e matar. entre parir e jogar. entre perversidade e prazer. estamos entre pausa e França. entre letra e dança. entre cabelo e plástico. entre brega e chique. entre fogo e paixão. estamos entre erro e diferença. entre download e paciência. entre razão e sensibilidade. entre pipoca e silencio. entre lógica e articulação. entre inversão e liquefação. entre água e lágrima. entre (p)élvis e cálices. estamos entre dança e dominação. entre corpo e submissão. entre o flácido e o direto. entre bocas e anos. entre os buracos dos olhos. estamos entre quatro paredes. estamos entre Waits e blondors. entre Carroll e sopro. entre corpo e traição. estamos entre nós. estamos entre.

19 de jul. de 2007

Post Inaugural!

Eeeeeeeeeeeee!!!

Agora temos mais um lugar pra nos "vermos". Agora temos mais um lugar pra dançar. Nem que seja só com os dedinhos, como propõe o título do nosso novíssimo blog!

Vida "alonga" ao BLOG do Gaia!

Usem bastante, escrevam tudo que tiverem vontade. Compartilhem muito e POR FAVOR, movimentem o blog!
Indiquem pros amigos, conhecidos e ajudem a fazer deste um lugar que aumenta a "gente do GAIA" em todos os sentidos!

Tarefas:
-Henrique: Escreva alguma coisa pra colocarmos no perfil do blog. Pode partir de: "Quem sou eu?" Pensando no Gaia, claro!
-Di, selecionar teus vídeos, textos e afins, fazer uma triagenzinha e compartilhar conosco por aqui. Isso vale pra todos.
-Fabi, preparar um post (texto, na linguagem blogueira, vão se acostumando) de divulgação das coisas do Buteco pra ser postado junto com um Flyer Virtual que vai falar sobre a função do dia... 18?!!(Li alguma coisa sobre a Jou não poder...)
-Ale, acho q seria interessante nos mostrar coisas das tuas pesquisas e tal. Que achas?!
-Sandra, Nilton, Jou e eu: Reunir tbm material, tipo artigos, textos links, vídeos, e coisa e tal, pra colocar aqui, pensar em coisas que gostaria de publicar. Podem ser idéias novas, velhas, "Idéias Fixas", móveis... Textos simples sobre o cotidiano no grupo, passagens engraçadas do Gaia e essas coisas das quais é sempre bom lembrar e que agora podem ficar registradas nos "ANAIS" ***ui*** do Gaia.

Ok, então?!

Bjo pra todo mundo.

PS.: Pra quem não está muito familiarizado com essa coisa toda de blog, que de fato é um tanto complicada, fique tranqüilo. Vai rolar um "Manual Prático do Bailarino Moderno"! Assim que eu conseguir um tempinho pra colocar todas as coisas destes novos espaços em ordem, eu envio a cada um de vocês o manual. Mas vão fuçando, hein?!!