27 de jul. de 2007

Um pedaço de mim enquanto videodança

Eu tinha, mais ou menos, sete anos de idade e, duas vezes por semana, andava pela rua de mãos dadas com minha mãe em direção ao seu local de trabalho – uma escola de dança na qual ela ministrava aulas de ballet. Lá chegando, sentava-me num banco e observava quatro bailarinas dançando numa sala gigantesca, e, destas, apenas enxergava a parte de baixo de seus corpos – um pouco do quadril, pernas e pés; a não ser que ficasse todo o tempo olhando para cima, como ficamos quando assistimos da primeira fila um filme numa sala de cinema: anti-ético para com minha cervical.

Quando uma das bailarinas, em função de seus movimentos, passava a ocupar uma parte do espaço na qual eu estava situado, menos eu enxergava do seu corpo, restando-me apenas olhar para um pedaço de quadril que avançava cada vez mais em minha direção, restringindo-me o olhar a um pedaço mínimo de carne humana. Por sorte também sou humano e, como a bailarina, podia, subitamente, mover os olhos para o lado esquerdo ou direito e, mais que depressa, encontrava outro pedaço de carne para a felicidade de minha retina.

Conforme a passagem do tempo meu corpo ampliou em altura, largura e desejos, e fez com que eu percebesse a dança a partir de outra perspectiva. A altura modificara meu ângulo de visão, a largura exagerada – um tanto gordo para o padrão de corpo existente na dança – me deixara em dúvida se podia ou não ser bailarino, e o desejo fez com que me descobrisse um ser dançante, pois mesmo sem atuar diretamente na dança, como bailarino ou coreógrafo, ela estava presente como um “tema” que atravessava minha vida. Era prazeroso estar entre pessoas que discutiam e faziam dança, e percebia neste meio minhas investidas futuras.

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