Gente,
Estou pesquisando metáforas para ballet, e gostaria da contribuição de vcs.
Vcs conhecem aquelas expressões didáticas que se usa em aulas de ballet?
Como por exemplo:
"Feche o casaquinho" - para fechar as costelas;
"Dance com o homem gordo." - para acertar a curvatura dos braços a frente.
Sabem?
Pois é, fiz uma lista das que eu conheço e estou precisando de umas novas. Caso vcs conheçam outras podem deixar pra mim nos comentários, ok?!!
bjus.
"Dance com o homem gordo"
"Feche o casaquinho"
"Deixe chover no cotovelo"
"Escove o chão com os pés"
"Mostre o "xixi" no espelho"
"Risque o ar"
"Na linha do umbigo"
"Desencalacre o pescoço"
"Olhe para a mão"
"Afunde o plié"
"O braço loooonge"
"Marque a cabeça"
"Despenque nas pirouettes"
"Se vendam nas poses"
"Mostre o calcanhar a frente"
"Mostre o andeór"
"Empurre o chão"
...
28 de ago. de 2007
Metaforas para Ballet - eu nao consigo acentuar os titulos do blog
E os dedos dançaram...
Grupo Gaia
às
15:14
4
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25 de ago. de 2007
Minha Meu
meu pé minha mão
meu pai minha mãe
meu pau meu pai
meu pé minha mãe
minha mão meu pé
meu pau minha mãe
meu pai meu pau
minha mão minha mãe
meu pai
meu mãe minha mão
meu pai minha pé
meu pau meu mão
meu mãe minha mãe
minha pai meu pé
meu pau meu mão
minha pau minha pé
meu mãe minha mão
meu pai
minha pé minha mãe
meu mão minha pau
minha pai meu mãe
meu pau meu mão
minha mãe meu pé
minha pai minha mão
minha pé meu pai
meu mãe minha pau
meu mão
meu meu minha meu
pai pau mão meu
minha pé mãe pai
minha minha pau mão
pé mãe minha meu
pai meu pé minha
mãe mão pau meu
minha meu minha mãe
pau pai
meu pãe minha pão
minha mé meu mai
meu mau meu pão
meu pãe minha mai
minha pãe meu mé
meu mau minha pão
minha mau minha mé
meu pãe minha pão
meu mai
Arnaldo Antunes
E os dedos dançaram...
Diego
às
01:02
0
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18 de ago. de 2007
A Terceira Margem do Rio
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.
A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.
Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.
Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.
Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.
Guimarães Rosa
E os dedos dançaram...
Diego
às
00:18
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11 de ago. de 2007
Velhos e Jovens
Antes de mim vieram os velhos
Os jovens vieram depois de mim
E estamos todos aqui
No meio do caminho dessa vida
Vinda antes de nós
E estamos todos a sós
No meio do caminho dessa vida
E estamos todos no meio
Quem chegou e quem faz tempo que veio
Ninguém no início ou no fim
Antes de mim
Vieram os velhos
Os jovens vieram depois de mim
E estamos todos aí
Adriana Calcanhotto
E os dedos dançaram...
Diego
às
16:22
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9 de ago. de 2007
ALGUNS TEXTOS SOBRE ALICE III
Alice, o Gato e Uma Não-Crônica
A estrada cheia de gente e eu pensando na crônica ainda por escrever. Tento escrever com palavras, sem computador, dentro da cabeça. Prometo que vou me lembrar quando chegar, palavra por palavra, transcrevo para o papel e... pronto!
Os carros e as pessoas, tudo pára. Fico olhando o horizonte carregado e penso que adoraria estar em casa: e a crônica que eu começara vira uma bolha de nada, penso em tanta coisa, meu deus, e a linha do horizonte ali, na minha frente. Tento imaginar coisas só boas, faço um esforço enorme, o sapato apertado no pé, o calor e os carros e as pessoas paradas. E eu sem música.
Invento histórias para ninar meu cansaço e minhas histórias invariavelmente terminam bem, começam com era-uma-vez-vida, há menininhas estudiosas, grandes bibliotecas com suas estantes cheias de livros: eu sou um pouco Alice e um pouco o Gato. Minhas histórias têm recantos engraçados: a menina lê embaixo da mesa enquanto o cachorro dorme; embaixo de uma videira um passarinho morreu, uma estradinha de terra, um gosto de goiabinha do mato, um uniforme de escola com a saia de casimira inglesa (ai que quente era no verão!), um livro (outra vez um livro, Esther?) sobre a mesa da cozinha, uma lição de inglês por fazer.
Presto atenção às pessoas paradas na rodovia: uns têm cara de intocáveis, outros fazem muxoxos, outros falam ao celular, outros falam ao celular e gesticulam. E eu querendo rir, me dando esta vontade doida de rir, eu aqui sem música, eu estaria tão bem se ouvisse Mozart e sua Sinfonia 40. Canto : tararã-tararã-tararã... tararã-tararã-ran-ran... E rio. Fico pensando na crônica, mas nem mais me importo com ela, abro um livro do Saramago e, já que está tudo parado mesmo, vou ler um pouco.
Mas não me concentro, com medo de não perceber os carros tomarem de novo o movimento e eu ali, parada no meio do caminho...
Olho a linha do horizonte: carregada de nuvens. Vai chover. Alice, o Gato e Uma Não-Crônica
Começo a inventar histórias de novo. E de novo me vêm à memória a lembrança de Alice e o Gato. Sempre gostei de Alice, do Gato e do Chapeleiro Louco, até da Rainha eu gostava: cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça! Eu tinha nove anos quando li pela primeira vez Alice no País das Maravilhas e a gritaria da Rainha me perturba até hoje: despertou na menina que eu fui o sentido profundo da injustiça que os mais fortes praticam contra os mais fracos.
Puxa, mas por que estou pensando tudo isso e escrevendo também? Ora, talvez porque tivesse sentido hoje, na rodovia parada, vontade de gritar: Cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça!
Olho as pessoas: muxoxos, poses, uns dão pancadinhas no volante, outros fumam.
Eu também fumo, mas tivesse eu aqui a Sinfonia 40 ao menos, estava tudo bem.
E então, fecho os olhos, e imagino a vida como um refúgio, lugar para onde se foge, jardins secretos. E penso que não quero mais que isso. Lá, na Vida, Alice e o Gato se entendem e nenhum engana o outro. Brincam. Ninguém manda que se corte a cabeça de ninguém e tudo é bom porque ninguém jamais nos interromperia.
Lá, livros são dados de presente e os relógios conservam antigos ponteiros de marcar não-tempo. Lá, o jardim é para ser visto, Alice nunca chora e o Gato inventa jogos de fazer feliz.
Lá, os dois existem.
Lá, as pessoas acreditam em histórias.
Lá, é possível gargalhar e ser feliz.
por Ester Ps Rosado
E os dedos dançaram...
Diego
às
02:39
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ALGUNS TEXTOS SOBRE ALICE II
O gato da Alice era um espertalhão! Resposta pronta, comentário ajuizado, oportunidade nas intervenções, etc. Naquela calma fleumática típica dos gatos, era brilhante. Bem,... esclareça-se que eu não conheço pessoalmente nenhuma Alice que tenha gato falante, nem tão pouco gato algum que trate a respectiva dona por Dona Alice. O felino em questão, e de cuja sabedoria me ocupo hoje neste passeio, é o mesmo que foi imortalizado pelo fotógrafo Reverendo Charles Lutwidge Dogson, mais conhecido como Lewis Carroll, numa fábula que encantou e continua encantando gerações, "Alice in the Wonderland" (1865) ou, a bem dizer, Alice no País das Maravilhas, essa mesma, que muitos dos que me possam ler conhecerão de ginjeira, já contaram a filhos e netos ou já a ouviram contar de alguém antes daqueles saborosos adormeceres de infância.
A principal recordação que guardo do famoso gato é uma memorável conversa com Alice. Perguntava ela a dado momento, quando se lhe apresentavam pela frente vários caminhos a seguir e havia que optar por um deles: "Dizes-me, por favor, que caminho devo seguir, a partir daqui?" ao que ele, ronronando impávido, e entre dois daqueles ‘estiramentos’ em que os gatos são peritos, miava: "Isso depende em grande parte de para onde desejas ir!". Ora toma! Pois aí estava a sabedoria do bichano... Se não se sei para onde quero ir, qualquer percurso me serve. O mesmo é dizer que se não sei que futuro quero, qualquer futuro (não me) serve. Se não defini que emprego desejo, qualquer emprego (não) me irá agradar. Se não escolhi o curso que pretendo, qualquer formação será tão inadequada como qualquer outra. Se não seleccionei que tipo de amizades me servem, todas me serão indiferentes. Se não sei onde quero viver, serei estrangeiro em toda a parte, etc.
É certo que as escolhas são difíceis, as oportunidades escassas, os caminhos múltiplos, as ilusões mais que muitas, enfim, não há gato que nos ajude, porque afinal somos todos umas vítimas do "síndroma de Alice"!
Mas um dos caminhos possíveis, parece-me, é o das escolhas "
a contrario sensu", ou seja, pela negativa, por exclusão de partes, até que reste apenas uma opção que nos agrade. Um processo demorado e sem sucesso garantido mas que, pelo menos, conduz a uma escolha consciente e não deixa as nossas opções ao sabor do acaso. É um exercício, afinal, em que aprendemos a dizer por onde, para onde ou com quem, NÃO queremos ir.
Esta conclusão encontrei-a também na poesia ao reler José Régio que, nas estrofes do seu "Cântico Negro" (1925), falou e disse: " ‘Vem por aqui’ - dizem-me alguns com olhos doces / ... / Ninguém me diga ‘vem por aqui’!/ ... / Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!"
por Francisco Fernandes
E os dedos dançaram...
Diego
às
02:39
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ALGUNS TEXTOS SOBRE ALICE I
Grande-pequeno, certo-errado, por ali-por aqui; cedo-tarde, perto-longe, gostoso-ruim ... e mais, muitas, inúmeras incoerências de coerentes deviries que pontuam o país das maravilhas paradoxais, das muitas Alices que quardamos e que por vezes não deixamos chegar á superfície dos sentidos.
Uma superfície repleta de palavras esplendidas, insólitas, esotéricas, crivos, códigos e decodificações, desenhos e fotos, um conteúdo psicanalítico profundo, um formalismo lógico e lingüístico exemplar. E no mundo da linguagem e do inconsciente dão lugar a um jogo de sentidos e do não senso, como num caos-cósmico.
O lugar do mundo dos sentidos, que são vividamente experimentados por Alice, sem pudores e instintivamente, só é possível degustar no campo da fantasia. E Lewis Carrol permitiu nesta a merecida liberdade dos deviries. Onde o conceito do devir transmuta-se em si próprio e noutro, e outro e do outro. Onde o frio pode ser quente quando este estado lhe for desejado e podendo tornar-se quente o frio quando lhe for preciso.
Que outra história permitirá aos nossos sentidos as múltiplas experiências sensoriais que não esta? Um presente de Lewis Carrol!
Viver esta fantasia, onde o ser confunde-se com o não ser, é particular dos paradoxos do mundo dos sentidos, onde a história de Alice tem fundamental importância por ser a primeira grande enumeração destes paradoxos. Ora renovando-os, ora recolhendo-os, ora inventando-os, ora preparando-os.
E esta série de contrários se dá nas transmutações dos deviries. O que é, em segundos torna-se o que não é. Mas isto só é perceptível a Alice, ou aos estóicos. Nós, anormais, não possuímos os sentidos apurados a ponto de percebemos as mudanças ínfimas que regem o movimento, o efeito das causas múltiplas. Percebemos apenas o ato mover como ação conseqüente das causas, apenas os efeitos de superfície.
Mas este mundo da causas nos é apresentado fantasiosamente por Alice. Ela nos faz ver essas particularidades do devir. Devir que torna-se outro e outro e outro e nunca o outro anterior ao outro. O conceito do EU perde com isto a sua particularidade, tornando-se sucessivos EUS e NÃO-EUS. O singular dá lugar a pluralidade.
Quando a bolacha pede para ser comida por Alice está pedindo que esta cresça, ou diminua. Ela então se torna maior do que era e por isto ela se torna menor do que é agora. Não é o que era, mas o que se tornou. E em breve se tornará outro. Mas não é ao mesmo tempo que ela se torna um e outro. Ela é maior agora e era menor antes.
Gilles Deleuze, admirador da história e grande filósofo dos deviries, descreve a simultaneidade destes, cuja única propriedade é furta-se ao presente. Em “A lógica dos sentidos”:
“É ao mesmo, no mesmo lance, que nos tornamos maiores do que éramos e que nos fazemos menores do que nos tornamos.”
Alice não cresce sem ficar menor, e nem fica maior sem ficar menor. Em todas as coisas há um sentido determinável, como afirma Deleuze:
“O paradoxo é a afirmação dos dois sentidos ao mesmo tempo”
O mesmo efeito também se dá no campo verbal, do nome que confunde-se com o ato. O acontecimento tem neste o seu contrário intrínseco. A imagem de Alice guarda seu contrário, que é refletido no espelho. Não como nos refletimos no de casa, mas o contrário desta imagem. Está é uma das primeiras surpresas que guardavam a busca ao coelho, que fala e tem pressa.
Por várias vezes na história Alice perde o seu nome, seu maior atributo identificador, para dar lugar à série de deviries.
No seu país das maravilhas, não é só seu nome que transmuta. Tudo é metarmorfoseado e metamorfoseável. Até o tempo, senhor de tão intrínseco, perde seu atributo temporal. O chá dos chapelões não devia ser as cinco. Não há tempo para tantas modificações.
Nada neste país faz sentido aos nossos sentidos acostumados à ordem e as coerências das coisas (aliquid). E é justamente por isto que fantasio viver nele.
Imagine ouvir essas histórias, perdidas em tantas entidades nominais:
“ O cavaleiro anuncia o título da canção que vai cantar. O nome da canção é chamado Olhos esbugalhados. _ Oh, é o nome da canção? diz Alice. - Não, você não compreendeu, diz o cavaleiro. É como o nome é chamado. O verdadeiro nome é: Velho, o velho homem. - Então eu deveria ter dito: é assim que a canção é chamada? corrigiu Alice - Não, não deveria: trata-se de uma coisa bem diferente. A canção é chamada Vias e meios; mas isto é somente como ela é chamada, compreendeu? - Mas então, o que é que ela é? - Já chego aí, diz o cavaleiro, a canção é na realidade Sentado sobre uma barreira.”
Imagine ainda querer chegar em um lugar não importando onde seja este:
“Por favor, o senhor poderia me dizer que caminho devo tomar para ir embora daqui? -disse Alice.
Isso depende em grande parte do lugar em que você quer ir. - responde o Gato
Eu não ligo muito para o lugar - disse Alice
Neste caso, pouco importa o caminho que você tomar - declarou o Gato.
Contanto que eu chegue em algum lugar - explicou Alice
Oh, disse o Gato, você pode estar certa de chegar lá, só que vai andar muito tempo.”
A obra Alice no País das Maravilhas expressa de uma forma muito criativa os deviries. Alice mergulha em um fantástico e nada comum mundo onde é rodeada de deviries a todo o momento. Perde a essência e a identidade (ao não ter certeza sobre o nome), a noção de tempo (quando os Chapelões tomam o chá das cinco durante todo o dia , já que o relógio parou e permaneceu neste horário). Vivencia um mundo de efeitos e mais efeitos, uma vida que é repleta de devir e de maravilhas. Vivencia o sentido como atributo do estado das coisas. Portanto, não apenas leiamos Alice, mas peguemos Alice, experimentemos, comemos, suguemos Alice. Devemos trazer esta personagem para nosso campo sensorial e de extra leitura. Não deixemos que Alice nos adentre só pelos olhos, mas pelos poros. E complete saboreando Deleuze. Assim estaremos dando aos nossos sentidos o prazer de exercer sua função: sentir! Sentir o variado, a mudança, o diferente. Sentir o grande e o pequeno, o certo e o errado, o por ali e o por aqui; o cedo e o tarde, o perto e o longe, o gostoso e o ruim ...
Deixemos que cinco horas leve todo o dia. E fiquemos certo de que chegaremos lá, mesmo não sabendo onde lá é, como lá se chega ou quanto tempo se leva para chegar lá.
Terminado este treinamento, e com os sentidos já dispersos e acentuados, poderemos ver quantos coelhinhos brancos passaram por nós com um relógio de bolso na mão, gritando: “É tarde, é tarde!”
por Carla Porto
E os dedos dançaram...
Diego
às
02:38
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Coloquei algumas fotos de momentos especiais dos gaieiros, mas não consegui colocar o comentário, aqui esta:
- Afinal, pra que serve um livro sem figuras?
E os dedos dançaram...
Sandra
às
02:35
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8 de ago. de 2007
Vai Levando
Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
Com toda a cama, com toda a lama
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
Todo o sistema, todo Ipanema
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Mesmo com todo rock, com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando esse toque
Mesmo com toda sanha, toda façanha
Toda picanha, toda campanha
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa manha
Mesmo com toda estima, com toda esgrima
Com todo clima, com tudo em cima
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa rima
Mesmo com toda cédula, com toda célula
Com toda súmula, com toda sílaba
A gente vai levando, a gente vai tocando, a gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula
Chico Buarque
***
Jogo: continue a brincar com os versos
Mesmo com toda lança, toda esperança
Com toda França, com toda pança
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa dança
Mesmo com toda China, toda Aspirina
Com toda quina, com toda sina
A gente vai dançando, a gente vai dançando, a gente vai dançando
A gente vai dançando essa Pina
Mesmo com todo disse, todo não-disse
toda breguice, toda doidice
A gente vai mostrando, a gente vai montando, a gente vai sonhando
A gente vai criando essa Alice
Mesmo com tod...
E os dedos dançaram...
Diego
às
01:00
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