Poema da minha amiga e parceira de trabalho Lu Paludo... Lindo... Adoroooo...
É a coreografia dos meus lábios,
Embalada ao som do meu aparelho fonador.
Você não poderá dizer que são só palavras,
Jamais inverterá minha intenção de que o desenho largo ou oval
Da minha boca possa se constituir de uma composição.
Mas o corpo todo quer essa dança.
O problema é que não consigo compilar.
O corpo quer essa dança, pois tudo sai na mesma cadência.
Posso virar uma cambalhota ao mesmo tempo em que digo um ai.
Posso falar um poema ao passo que recrio uma canção.
Posso saltar, como um soluço...
[Da lágrima que não ouso há tempos].
Posso virar uma cambalhota?
Gosto de mover meus lábios e gosto da música
Do aparelho fonador...
Enaltece a alma e esclarece.
Mas não é nada disso, não se iluda!
Isso é só aparência,
É apenas uma coreografia [dos meus lábios]
E a música quem faz?
...É meu aparelho fonador.
Se puder mandarei eles pararem, os lábios
Pois os pés estão invejosos e as coxas também!
A bem da verdade, para quê tanta coxa, se não posso saltar?
E a atração mimética por asas, se possuo somente braços...
São compridos os braços
E gostam de estar no lugar das pernas – às vezes.
São compridos, mas não o suficiente para alcançar...
Tudo que os olhos enxergam.
Queria ser míope.
[Em vez de míope, medíocre!]
Sempre compridos os braços e grandes os olhos;
[Grandes e tímidos.]
Pena que não podem falar.
Mas quem precisa de mais fala com uma boca deste tamanho?
E não há nada de mal em eu querer dançar uma valsa.
E os pés pedem permissão para os lábios...
São eles que ditam a medida das coisas.
E o resto do corpo também se assanha: quer ser movente.
Alguém manda a boca calar?
Daqui um pouco a música acaba,
Aquela, do aparelho fonador.
Daqui um pouco o resto do corpo terá espaço:
Fim do monopólio dos lábios!
Todas as partes merecem espaço.
Tudo que move é sagrado, diria o poeta...
Mas os olhos atrapalham.
Já viram muitas coisas, mas sempre querem rever:
A mesma coisa.
[É o conforto das sensações já sentidas;
Nada de riscos, essa é a ordem!
Velada
Escondida no mar das boas e novas intenções.
todas querendo se estabelecer/permanecer]
Deixe o corpo dançar!
Cala a boca!
Por favor, alguém me faça parar.
Pois não há nada de mal em eu querer dançar uma valsa.
Lu, 21 de fevereiro de 2004
www.lupaludo.art.br
Um comentário:
"Você não poderá dizer que são só palavras,
Jamais inverterá minha intenção de que o desenho largo ou oval
Da minha boca possa se constituir de uma composição."
Pra mim é o suprassumo da propriedade!
Trocando em miúdos:
"Eu sou dono da minha dança, e é uma coreografia SIM!"
Vem nimim, Lu Paludo!!!
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